Enquanto o garoto ia falando com a garota, a outra observava, analisava cada piscar de olhos, cada novo brilho de sorriso, cada menor indício de lágrima. Ela era a peça intermediária para que a outra pudesse ouvir com outros ouvidos ao que ele dizia.
Então ele ria, suspirava, olhava para longe, para a boca e os olhos dela e então suspirava mais uma vez, brilhavam as lágrimas que se recusavam a cair com as luzes da rua. A outra lia cada palavra com seu respectivo gesto. Esta ia construindo a personalidade dele para tentar compreender suas atitudes e frustrações. Ninguém ousava entender realmente; fingiam que sim para dar continuidade a outro assunto. Não levavam a fundo. Era coisa de moleque. Qual era o interesse em conhecer as raízes do garoto?
A outra escutava cada movimento dos lábios dele. Escutava com dificuldade às vezes, pois os poros dele (ele) e dela (ela) falavam mais alto que a própria boca e assim dificultava na audição da situação toda. Enquanto isso, ela ficava na frente dele toda tonta, com aquelas roupas e perfume interesseiros. A outra tinha raiva dela porque ela não era verdadeira: não usava do cheiro do próprio corpo e são usava como roupa sua própria pele. E também não fazia o que o outro queria: demonstração de interesse pelo o que este estava contando. Tudo bem, a outra devia admitir que mesmo ela sabendo que não demonstrava tanto interesse quanto gostaria, era mais do que a maioria das outras dela por aí.
A outra queria encaixar os fatos nos sentimentos, construir uma história, entender a complexidade de uma vida. Ela queria sugar a boca dele, respirar seu suor frio, se aconchegar no corpo tão confuso. Também sabia o tamanho do estrago dos problemas dele nele, mas se bem que poderiam ser resolvidos mais tarde... Agora a necessidade para ela era corporal. Jogava isso na cara do outro ao mesmo tempo que a outra só faltava engolir suas palavras e sentimentos deste e tomar como dela.
E foi assim durante vários dias, de semana em semana. As duas se encontravam com o garoto e por fim a outra ia embora com os pensamentos dela própria e com os do outro e então ela aproveitava e ficava matando a vontade do ele – não gostava muito do outro.
Como os outros foram embora, no final da noite, depois de todos os suspiros e cheiros , abraços, toques e beijos entre seus lábios, ele e ela iam para casa (cada um na sua) sem dizer uma palavra. Afinal quem gostava de conversa eram os outros. Estes os abandonavam na maioria das vezes porque se entediavam com tantos toques... Não eram tão emotivos quanto eles próprios; eram carnais.
Quando os quatro se juntavam trazendo a real garota e real garoto para perto era maravilhoso. Até ele e ela se surpreendiam. Porém a atual situação não permitia que ele e ela deixassem os outros influenciarem tanto na vida deles dois. Complicaria demais, traria dor de cabeça. Não compensava. Era nada estável. Assim como os sentimentos que os outros nutriam entre si e até por ele e ela.
No fim - pelo menos é o que parece -, ele e ela começaram a excluir de vez os outros. Todos os encontros se traduziam em pele e dessa forma os outros foram se afastando deles dois e também acabaram criando enormes lacunas entre si. Assim, o garoto e a garota não se encontravam mais.
Com os outros separados, o interesse entre ele e ela estagnou. Aí eu, por completo sumi. E você, me acompanhando, sumiu.
A impressão final da garota foi de um “o-que-será-que-foi-isso?” já que começou em nada e terminou na mesma.
A garota teve certeza de que essa impressão era a pior possível.
quinta-feira, 26 de julho de 2007
Impressão da garota de um garoto
Postado por Luiza... às 18:41
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4 Comments:
acho que preciso refletir um pouco mais sobre o caráter metafórico desse texto para daí sim, fazer um comentário decente e privado!ahsusauhash
mas é assim...nossa vida é cheia de outros e eles que no final, acabam significando nada.
amoooooooo luluuu
;@@@@@@@
Cristo!
Se nem a Re não entendeu na primera, eu que num vo tenta!!!
Juro q vou ler com muita calma... e produzir algum comentãrio util!
Se possivel... quero ler com vc.. ai vc já traduz pra loira aqui!
te amooo luu
;*****
bom comeco
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