Quando a conheci, eu estranhei aquela cor de cabelo, estranhei ela estar falando com minhas amigas. Creio que é normal para a minha pessoa sentir ciúmes de meus amigos e aquela intrusa me fazia sentir assim. E ela era de onde mesmo? Whatever! Ela queria minhas amigas para ela e eu não gostei disso. Eu não conseguia disfarçar a insatisfação, logo ela também começou a me olhar com estranheza. Não posso dizer se ela chegou a me odiar... Mas posso dizer que eu não cheguei a esse ponto.
O tempo se passou até que começamos a nos simpatizar e, para mim, o marco inicial de nossa amizade foi o dia em que rimos juntas no McDonald's por caçoar de nossa ridícula estranheza. A partir desse dia, nossa amizade nasceu de fato e só aumenta a cada dia.
Que bom que eu cresci como pessoa, passei pelo que passei e chorei. Que bom que abri a cabeça e que melhorei quem eu era.
Eu era uma estúpida. Demorei para questionar verdadeiramente as tradições, a família. E - não tenho vergonha em dizer, porque quase todas as famílias são assim - a minha, em uma boa parte, julga pela capa do livro. Só quando se quebra a cara num julgamento desse é que a gente aprende a parar com isso. E foi assim com ela, com essa minha amiga. A gente representava os opostos na turma. Eu, a santa, puritana, crítica, mas que temia tudo e todos, tímida e totalmente sem graça em alguns pontos cruciais da adolescência (mas apesar de tantos pontos negativos eu ainda era considerada a "psicóloga" do grupo todo). Tudo isso sem falar que eu quase nem saía de casa - não podia. Ela era aquela que ia em festas quase todos os dias da semana, beijava o quanto quisesse, tinha cabelo tingido de vermelho berrante e peitos a la Pamela Anderson. Conversava com um mundo de pessoas e estava (pelo menos parecia) pouco se fodendo para o que achavam dela. Principalmente por alguém como o meu eu da época.
Eu sei lá mesmo por que, mas acho que eu estava cansada de não por para fora quem eu era de verdade e então eu me deixei aproximar dela. Não que ela fosse minha imagem e semelhança, mas algumas coisas que ela fazia e era, eu era na essência. Eu queria absorver um pouco daquela energia do "não", daquela rebeldia que nunca deixei aflorar. E todo mundo ria, se divertia dizendo e observando que, mesmo com nossas diferenças gritantes, nós duas nos dávamos muito bem e achávamos graça uma da outra.
Meu processo para aceitar alguém tão diferente como ela foi um pouco demorado para o meu gosto de agora, mas, enfim, foi o tempo que precisei para digerir toda aquela informação. Quanto à ela, não sei como foi para me aceitar. Só sei que deve ter tido uma paciência que eu não teria.
É engraçado que podemos ver e sentir que mudamos. Demora um tempo para ver a grande mudança de nós mesmos, mas um dia percebemos. Quando se olha uma foto antiga ou mesmo do ano anterior, pode-se perceber alguma ou uma enorme diferença física. Podemos usar as fotos como meio comparativo. Agora, para perceber o quanto você mudou internamente, você precisa se lembrar de você há algum tempo. Lembrar-se de suas atitudes e opiniões em determinados momentos e situações. Se você sente que não mudou nada de um ano pra cá, por exemplo, não pense que você não é volúvel. Eu, se fosse você, ficaria triste depois desse balanço interno. Alguma coisa em suas idéias poderia, sem dúvida, ter sido lapidada. Sempre existe uma maneira de tornar algo melhor.
Mas acabei mudando mesmo. Para melhor eu acredito. Nunca vivi tão bem. E ainda que seja um post atrasado (o aniversário dela foi dia 5 de Dezembro), é para agradecer a essa amiga por ter me ajudado nessa etapa que definiu boa parte da minha vida. Só quero que ela seja muito feliz, sendo essa pessoa divertidamente doida, muito atenciosa, querida demais por mim. Eu só desejo a ela o melhor dos melhores porque sei que ela também deseja isso para mim, mas principalmente por não existir um por que d'ela não merecer.
Rê, querida, não perca essa doçura tão sua e continue sendo obstinada, tendo seus sonhos e os realizando. Não se intimide porque você vai conseguir sempre o sucesso que quiser por tudo o que você é. Tudo de bom minha amiga e parte. Te amo muito.
P.S.: Desculpa por aquele dia NoCanto... Tive mesmo que te abandonar com a Vivian... Não teve jeito. Eu estava "embriagada" por algum motivo não alcoólico.
sábado, 8 de dezembro de 2007
Uma das melhores coisas da minha vida
Postado por Luiza... às 05:49
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1 Comment:
Luuuuuuuuuuuuu
ameiiiiiiiii demaissss o seu post e seus 5 depoimentos!
mtoooooooooooooo mesmo!!
quero escrever algo à altura, mas não enquanto estiver fazendo minha prova de "matrices de la literatura hispanoamericana" (!!!)
aguarde! uahuhasuhasuhs
ps:eu entendo aquele dia Nocanto! todos tem seu momento de embriaguez não-alcoólica lá!!!
amooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo demais!
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