segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

A questão do "ninguém me liga"

Alguém conhecido ou do teu lado já veio com aquela conversinha de que ninguém liga para ele, ninguém o procura? Provavelmente sim. É muito comum. Talvez você seja uma dessas pessoas. E pense: o que te leva a pensar dessa maneira? Por que você não liga? Por que você não procura tal sujeito que te faz falta? Aí você poderia me responder que é sempre você que faz isso e agora é a "vez" da outra pessoa. Como se uma ligação, um "alô", fosse algo feito um jogo de tabuleiro em que não se possa pular a jogada do outro participante...

Me irrita a quantidade de pessoas que sempre reclamam que ninguém os convida para sair, dar uma volta para um bate-papo, dar uma beliscada num café. Será que já experimentaram abrir as portas da própria casa? Se já fizeram algum convite? Se já deixaram de se importar com o que poderão pensar se ainda não têm uma tela gigante de LCD na sala? Se já se esqueceram de que o visitante conversará com a pessoa e não com suas roupas mais arrumadas, jóias e sandálias da estação? Será que não são essas próprias pessoas inconformadas pelas suas faltas de procura que fecham as portas, que se fecham por se sentirem frustradas por não serem tão cheios de high tech e bens tanto quanto gostariam? Será que não são eles mesmos que se punem por não terem conquistado isso ou aquilo? Ou será que por não serem a garota capa da revista ou o homem mais realizado?

É...

Essa coisa toda parece ser simples e besta que nem precisaria de uma atenção. Pelo contrário. Essa discussão é tão complicada quanto a freqüência em que ela ocorre. Se, ao longo da vida, o indivíduo não perceber o que está fazendo consigo pode causar vários danos para a própria vida. E uma dor de cabeça para quem vive ao lado.
É natural das pessoas que elas sejam sociáveis, partilhem confidências e experiências. É uma necessidade saudável. Tem alguém aí que acha que dar risadas, jogar conversa fora de vez em quando é ruim? Se sim, se interne. Você não deve estar passando bem e deve ser uma daquelas pessoas acima.


Não é legal ficar preso numa redoma. Esses tipos de isolamento podem acabar resultando em somatizações, síndromes do pânico e outros acontecimentos piores. Felizmente, a maioria dessas pessoas se isolam brandamente e não acabam chegando aos extremos. Mas é possível. E isso me preocupa. Muito mesmo. Tenho muitas pessoas de que gosto muito com alguns desses sintomas, algumas com mais e outras com menos deles; algumas mais velhas e outras mais novas. Algumas delas até percebem que se isolam e outras nem fazem idéia do canto em que estão se metendo.

Todo mundo precisa de alguns momentos de isolamento, seja quando lê um livro, seja quando pega o carro e parte sozinho pra onde for. São nessas horas que damos ouvido aos nossos pensamentos e voltamos às nossas reflexões. É também nessas horas em que acabamos nos firmando em alguns aspectos e, em outros, descobrindo não saber absolutamente nada. Porém, ficar a vida toda em reflexão, meditação não é legal, não faz bem, ao menos que você seja um monge. Aí tudo bem.

Tire você as conclusões sobre o que vive e sobre o que acontece ao seu redor, mas sem subestimar o que os outros pensam. Não é isso que se deve fazer. Também não se deve dar créditos extras para as outras pessoas. Todo pensamento deve ser analisado e pesado de acordo com seu caráter. E a partir daí, formule a sua idéia. Pense no seu bem-estar. No que realmente te importa.


Enfim, o lance é entrar no clima do carnaval (mesmo que não goste muito, assim como eu), viver e não ter a vergonha de ser feliz.

Ah! E dar uma ligada para quem te dá saudade.

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