Então eu vim para São Paulo. E para quem só viveu no interior e morou na mesma cidade durante dezenove anos é uma mudança absurda. Mas como sempre gostei da cidade grande, da metrópole, até que me adaptei rápido, sempre sabendo que quase nada sabia.
Então fiz amizades no primeiro dia de aula da faculdade. Descobri que na cidade que nunca dorme, pessoas são amigas, têm relações de sentimento verdadeiro. O que foi um choque para meu colega do interior, que tem certeza, desde que nasceu, de que os paulistas não têm alma. Ora! Que crueldade domina esse pensamento! Só porque precisam ter três empregos e trabalham feito máquinas para se sustentar? Ou ainda porque enfrentam um congestionamento maior do que a principal avenida de sua cidade do interior? Ah, isso não justifica. Porém, entretanto, todavia, tenho que concordar com meus conterrâneos no que se trata da impetuosidade que habita as raízes do paulista enquanto dirige. Tudo bem vai, “impetuosidade” foi forte demais e pode acabar magoando nosso mais novo queridinho que, descobrimos, tem alma. Digo então fúria? Ou talvez insanidade? Quem sabe falta de juízo? Imprudência? (Uau, vou levar um tempo para me definir sobre esta questão). Dúvidas à parte, outro dia, me lembro bem, pensei que fosse morrer no trânsito por conta disso. E não é exagero. As pessoas na metrópole têm mania de discutir seus interesses no trânsito, pensam que pelo tempo que gastam esperando – quase um ritual – que o trânsito flua, que podem resolver suas diferenças ali mesmo. Descem do carro em plena marginal, estacionam em qualquer lugar e vão de olhos vermelhos e latejantes “compreender” o que o indivíduo tinha em mente no momento em que correu demais com o carro ou quando não mediu direito a distância entre um veículo e outro. E por aí vai.
É uma relação apimentada que ainda não descobri se vale a pena ou não. Mas parece que as pessoas por São Paulo acreditam nisso de verdade. Até quem eu pensava respirar calmaria me surpreendeu com uma espetacular revolta contra um motoqueiro que devia ter engolido uma buzina e – acho – que, naquele momento, tentava cuspir.
Não me incomodo com quem é impaciente no trânsito e tenta me assustar tentando arrancar o retrovisor. Quero mais é que o sujeito vá embora, que se escafeda. Não me interessa se tem pressa, se não gostou, se está abismado com a falta de habilidade ou de intimidade minha com o automóvel. Afinal, o cara pode ser um louco, insano e querer lançar-me uns “pipocos”. To fora!
Definitivamente não vejo coerência em perseguir alguém para lhe falar umas verdades. Não sinto vontade. Só quero aumentar o volume do rádio e ouvir o refrão do rock mais sedutor e esquecer o que se passou. Não vale a pena investir numa discussão que não vai acabar em pizza ou em cama. O bom então é descontar na academia ou no chocolate mesmo – isso se a disciplina não for tão grande.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Enlouquecidos motorizados
Postado por Luiza... às 07:37
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1 Comment:
ai sua exagerada! achou que fosse morrer? hahahahahahaha! só vc mesmo, e olha que eu também sou quase do interior..
amo vc querida! =*
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