quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Último retrato de minha amiga mais íntima

Ela se sentia um nada. Usada. Como uma qualquer, apesar de no fundo saber que não era. Sentiu (finalmente!) que não valia e valeria a pena continuar naquela batalha. "Não deu, ué? The show must go on". E disse ainda, a plenos pulmões e sem falta de modéstia, que ela era o "show". A vida dela o era.
Ao se inclinar diante de mim com aquele copo mole, chega quase a balbuciar... "Chega uma hora na vida que a gente tem que parar com certos vícios e, talvez (por que não?), partir para outros". E confessa: "pois - mesmo que não seja legal admitir - um viciozinho sempre torna algo mais apetitoso do que propriamente é. Mas tudo precisa ser com moderação. Maldito equilíbrio das coisas!" E é verdade... Se não fosse ele se desequilibrar, tudo seria tão mais fácil. Porém, não tão prazeroso para os sádicos contemporâneos (desconfio fazer parte dessa leva...).
Ela continuava a me dizer insistentemente que sentia muito pelas águas que viriam a incomodar durante a noite e também por ter que fingir muita coisa dali em diante, acabando por ser cínica e hipocrita com ela mesma.
Acabou por jurar que disse todas essas palavras para ele: "Vou abandonar uma parte de mim para resgatar, enfim, a minha parte mais minha: o meu eu não teu".


"The show must go on
The show must go on, yeah
Inside my heart is breaking
My make - up may be flaking
But my smile still stays on"

(querida, eu poderia copiar a música toda pra cá, mas não há necessidade. Não é mesmo?)

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