Ela se sentia um nada. Usada. Como uma qualquer, apesar de no fundo saber que não era. Sentiu (finalmente!) que não valia e valeria a pena continuar naquela batalha. "Não deu, ué? The show must go on". E disse ainda, a plenos pulmões e sem falta de modéstia, que ela era o "show". A vida dela o era.
Ao se inclinar diante de mim com aquele copo mole, chega quase a balbuciar... "Chega uma hora na vida que a gente tem que parar com certos vícios e, talvez (por que não?), partir para outros". E confessa: "pois - mesmo que não seja legal admitir - um viciozinho sempre torna algo mais apetitoso do que propriamente é. Mas tudo precisa ser com moderação. Maldito equilíbrio das coisas!" E é verdade... Se não fosse ele se desequilibrar, tudo seria tão mais fácil. Porém, não tão prazeroso para os sádicos contemporâneos (desconfio fazer parte dessa leva...).
Ela continuava a me dizer insistentemente que sentia muito pelas águas que viriam a incomodar durante a noite e também por ter que fingir muita coisa dali em diante, acabando por ser cínica e hipocrita com ela mesma.
Acabou por jurar que disse todas essas palavras para ele: "Vou abandonar uma parte de mim para resgatar, enfim, a minha parte mais minha: o meu eu não teu".
"The show must go on
The show must go on, yeah
Inside my heart is breaking
My make - up may be flaking
But my smile still stays on"
(querida, eu poderia copiar a música toda pra cá, mas não há necessidade. Não é mesmo?)
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Último retrato de minha amiga mais íntima
Postado por Luiza... às 18:08
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