sábado, 23 de fevereiro de 2008

A misteriosa (parte dois: involuntária da minha parte)

Usei a medalha que uma vez me deu. Neste dia me contou a história dela, que no chão de um trem que viajava algo brilhou. E foi assim que ganhou por vontade de ninguém a tal queridinha.

Disseram que ela partiu serena, que não aparentou sentir qualquer dor.

Durante a ida de carro até onde ela que partiu estava chovia. Para mim não era qualquer chuva... Eu ainda não tinha chorado... Aquilo ainda não era real.


"O coração sempre arrasa a razão"
É engraçado quando alguém que tanto gostamos se vai. Pode ser que nem tínhamos mais tanto contato, mas o fato de saber que nem que se queira tê-lo de volta é possível, trás aquele tipo de desespero que, geralmente, nos leva às lágrimas.
Também não quero ouvir que tenho que me acostumar com a morte. Eu a aceito, pois compreendo que seja parte do ciclo natural das coisas, mas me acostumar à ela? Ser indiferente? Como? Não consigo ser indiferente a uma coisa ou alguém que sempre me foi especial, único. Portanto, choro mesmo. E me esgoelo. Mas me recomponho, definitivamente.
Não quero ouvir que "foi o melhor que aconteceu" ou que "agora está num lugar melhor...". Não duvido disso. Não duvido que a vida é melhor que a morte ou vice-versa. Quero que me deixe perder as estribeiras, extravazar as emoções que tanto ficaram presas enquanto eu não as queria demonstrar para tentar fortalecer aqueles sinais de vida. Claro que eu sei que quem me diz isso é no intuito de me confortar. Mas, sinceramente, não ajuda.

"Pr'onde vamos?"...
Ela mais uma vez atendeu aos meus pedidos. Não a fez sofrer. A levou sem desespero, não a deixou ficar nervosa e temerosa. Simplesmente foram as duas. Para onde eu não posso afirmar. Muita gente aposta que seja para um ou outro lugar, em companhia de um ou outro. Mas eu mesma não saberia te dizer.

"Não tenha medo: nem tudo tem explicação","e ai de nós se o disco acabar"...
Como será daqui pra frente? O que será que vem por aí? Admito que tenho curiosidade. Não fico apreensiva porque sei que tudo se encaixa. Tudo tem um porquê de acontecer. Mas fica no ar a sensação de que as coisas estão em constante transformação (inclusive eu, oras!) e de que realmente a vida escorre pela nossa pele sem querer saber a que velocidade, como e por onde.

2 Comments:

Gustavo Weber said...

"a vida escorre pela nossa pele sem querer saber a que velocidade, como e por onde"
sim!

Nilda said...

Nesta semana eu soube da morte de uma pessoa que convivir por alguns anos. Não sentia amor por ela, mas acho que algo maior nos uni a todos.O que torna impossivel ficar indiferente com relação a morte.E você escreveu exatamente que estou sentindo.Parabéns!!