Quando eu percebi que existia-se fim para tudo e quando vi o fim de um conhecido, tive medo.
***
Com o passar dos anos eu a encontrava em variados lugares e com muitas pessoas. Algumas delas eu conhecia e outras não. 
Eu jamais soube se ela também me via, se me queria junto dela, se queria que eu a seguisse.
Não receio a sua chegada, só não consigo responder se ela é boa ou ruim (porque nunca estive com ela), fria ou quente (porque nunca a toquei), se vai me machucar ou se vai me confortar (porque nunca a senti). Penso tudo isso porque alguns terminam sorrindo, outros sem apresentar qualquer feição e alguns simplesmente se deixam ser acompanhados por ela.
Às vezes eu penso se ela realmente existe, se vai e volta, se é feito Papai Noel que só num dia está em vários lugares. Tem gente que acredita que ela tira a vida, mas acaba devolvendo em outro corpo e outras que ela tira e não devolve nunca mais.
Poucas vezes eu falei com ela. Uma vez (eu era pequena) pedi com muito medo para que ela voltasse para uma determinada visita depois de cinco anos. Após esse tempo ela poderia vir - talvez eu já estivesse preparada para este fim. Passados cinco anos ela voltou conforme o combinado. E eu, ao contrário do que esperava, não estava me sentindo forte o suficiente para suportá-la tão próxima. Desesperada, eu pedi mais cinco anos. Ela aceitou. Disse que tudo bem... Eu até, depois dessa, pensei que ela devia ser legalzinha. Afinal, ela havia me aberto outra exceção.
Tenho que admitir que me surpreendi com sua chegada depois dos outros cinco anos, pois eu tinha me esquecido dela. Acho que ela percebeu essa minha falha na memória porque chegou brava dizendo que não adiaria mais nada. Ficaria por ali até que enjoasse e levasse, por fim, o que sempre teve intenção em buscar. Eu nem retruquei. Tive medo, outra vez. É duro ser "pata" nesses momentos... Ficamos tão vulneráveis... E eu já era grande!! Então eu quis chorar. Mas a vontade passou e eu resolvi que aproveitaria jundo dela quem eu tanto amo.
Atualmente passei a conversar todos os dias com ela, pedindo para que, pelo menos, fosse suave, gentil e que não buscasse aquela antiga doce alma de forma amarga. Porém, ela me respondeu cheia de tumor que atacaria o sopro, depois desregularia a lógica e ai, finalmente, tomaria o todo o resto. "Com ou sem gentilezas será doloroso para você" explicou-me.
Hoje em dia ela está desatando um por um os nós que sobram por aquela cama. Não sei dizer ao certo quantos deles restam... Entretanto, parece-me que poucos. Logo que ela terminar seu ofício não tenho idéia de quando a verei novamente. Mas sei que, sem dúvidas, haverá próxima vez.
domingo, 17 de fevereiro de 2008
A misteriosa
Postado por Luiza... às 15:53
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