A perna direita era mais arqueada do que a esquerda. Não. Acho que eram igualmente curvas. O cabelo não era liso. Era meio enrolado, curto, mas não ao extremo. Usava óculos de aros pretos meio retangulares com cantos arredondados. Nos pés calçava as botas Timberland cujo um do par teimava em ficar desamarrado. O jeito de andar do garoto até que me seduzia. Era feito um balanço, um descompromisso com a beleza elitista daqueles homens da Paulista.
Seus olhos azuis eram como se quisessem apenas refletir, por todo o tempo, o céu mais limpo e lindo de um verão.
Quando, em pé, debruçava-se sobre a mesa, as costas retilíneas pela perfeita postura pareciam contrastar com a curva que formava sua pequena e dura bunda.
Era loiro. Tinha os pêlos - os visíveis - loiros. Não era cheio de pêlos. Tinha só o suficiente para chamá-lo de homem.
Onde eu tinha por começar a beijá-lo eram finos os lábios e o sorriso era ou pretendia ser provocante.
Não penso que ele fosse notado por muitas mulheres, mas se por alguma fosse, talvez, como eu, o devoraria com os olhos.
Seu nome? Não importa. O que interessa é a voz. Única. Envolvente para alguns, como para quem aqui escreve e, possivelmente, irritante para outros.
Entre os charmosos livros de artes, parecia conter em si ainda mais intelectualidade e misteriosidade do que os próprios aros tradicionais dos olhos postiços costumam dar.
Parece trabalho de detetive o meu, mas é apenas de alguém enfeitiçado por outro. Não é algo evitável a vontade de se descobrir onde mora e com quem; com quem anda e por quê; por que escuta e o quê; o que gosta de fazer e onde.
Vamos tomar um café?, Não gosta?, E cerveja?, Ah, não é do seu gosto..., Um suco?, Água?, Vamos conversar pelo menos?, Teria algum tempo livre?, Mas sempre está à trabalho?, É mesmo?, E seu telefone?, É, tem gente que é desapegado mesmo..., E-mail?, E não conseguiu recuperar a senha?, Bom, acho que é impossível então, Eu bater um papo com você oras! É o que eu estou tentando desde o início, Direta?, Ah, pensei que seria indelicado, Haveria outra vez? Na próxima eu seria mais pontual no assunto, Não?, Tá, okay..., Tchau...
Talvez eu nem levasse um fora...
Acima apenas uma possibilidade não muito favorável para uma das partes. O fato é que quando somos acometidos pela insegurança "amorosa", haja métodos para driblá-la e/ou escondê-la...
segunda-feira, 17 de março de 2008
O moço dos livros
Postado por Luiza... às 08:14
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