É difícil não encontrar nos cadernos de cultura dos maiores veículos de imprensa a área reservada para a crítica. Jornalistas especializados no assunto que irão abordar ou alguém que realmente domine o tema e saiba escrever de maneira correta são as pessoas que se dedicam a esta seção. Mas qual é, de fato, o papel da crítica?
A crítica é um texto que tenta esclarecer todas as dúvidas sobre um produto passando o maior número de informações possíveis de forma que o leitor possa criar uma determinada expectativa, que pode levá-lo ou não a uma postura de compra.
Infelizmente, grande parte dos críticos se esquecem deste conceito básico e partem cada vez mais para o caráter indutivo. Ao contrário de fornecer aos leitores as condições para que eles possam resolver se consumirão ou não determinada obra, o crítico acaba por formular seu discurso de forma que prevaleça sempre a sua verdade, sua preferência. Portanto, o que seria um método para ajudar os consumidores na escolha de uma mercadoria se torna uma imposição de idéias, que conduzem a conceitos pré-estabelecidos, limitando a capacidade do leitor em emitir suas próprias conclusões.
O público, em geral, se divide entre aqueles que se interessam e outros que passam longe desse tipo de abordagem dos temas - a crítica. Os primeiros, em pequeno número, buscam absorver todo o conhecimento e material pesquisado pelo especialista e tentam, à partir da opinião do crítico, construir a própria forma de pensar sobre o objeto em questão. Os segundos, que são a maioria, relutam em aceitar que a opinião de uma só pessoa possa ser publicada e tida como parâmetro para outros que ainda não tenham uma. Estes também se contrapõem por, muitas vezes, serem fãs do artista ou do que é atingido pela crítica.
A maioria desses “devotos” costuma tomar as dores e a ofender o jornalista quando este faz algum juízo negativo sobre o que está analisando. É por isso que estes profissionais de imprensa precisam ter consciência de que suas críticas não devem ser algo baseado exclusivamente em preferências próprias. Elas precisam ser bem fundamentadas e terem argumentos e fatos que possam comprovar uma opinião formulada em conceitos e não só em afinidades. Os critérios para um julgamento deste tipo devem ser predominantemente imparciais. Entretanto, por mais que o especialista tenha todas as razões do mundo para “falar bem” ou “falar mal” sobre determinado tema, ele precisará aprender que sempre haverá chuvas de desaforos para agüentar. Cabe, então, também ao responsável pela crítica ou ao ombudsman da empresa ouvir esses leitores e analisar se houve realmente alguma falha ou exposição dispensável da opinião individual.
A crítica musical
Com a chegada das novas tecnologias, em especial a internet, que carrega um grande número de informações, produtos e serviços de maneira rápida e prática, está acontecendo uma expansão da crítica musical, que conquista cada vez mais espaço diante de um público sedento por novidades e notícias.
No mundo jornalístico, onde a informação objetiva é posta em primeiro lugar, criar profissionais que atuem em segmentos específicos dentro da música é uma proposta interessante, desde que não existam discriminações a alguns grupos e tendências sonoras, pois, se isto acontecer, essa finalidade não é alcançada. Os críticos devem, portanto, se adequar às exigências do mercado, usando sempre o bom senso e mentalidade aberta na realização de seus trabalhos para evitar uma ação discriminatória geralmente encontrada em profissionais que detestam determinados estilos musicais.
Também é possível encontrar, sem grande esforço, críticos ditos ”modernos”, que veneram tudo o que está em alta, independente da qualidade musical. Este grau de profissionalismo não consegue enxergar pontos positivos em nada que não esteja em evidência no momento. Da mesma forma, também existe o crítico que se apega ao ”underground”, bandas mais desconhecidas e fora da mídia - que por este simples motivo são reverenciadas - ou aquelas que causaram-lhe impacto em alguma época de sua vida.
Enfim, o crítico musical deve ter um amplo conhecimento sobre música, não somente sobre um só estilo, mas sobre todos, para que possa estudar e compreender as veias sob as quais foram criadas o novo. Além de música, é altamente recomendável estudar os contextos históricos e ideologias do artista (ou banda) sobre a qual irá falar, garantindo ao próprio discurso maior credibilidade.
Confira na internet o que alguns dos maiores críticos de música estão dizendo agora por aqui, lá, ali e acolá.
E, "para ir além", como o próprio Digestivo Cultural diz, uma coluna de Débora Costa e Silva sobre o curso de Crítica Musical que também tive o prazer de participar.
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Sob o olho da crítica
Postado por Luiza... às 06:55
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2 Comments:
Eu já li este texto antes... :P
Mas eu juro que não saí por aí vendo quem da sala copiou o texto e acabei descobrindo que você reutilizou o seu. Cá entre nós, coisa que eu também já fiz... :D
Eu já tinha visitado outras vezes e gostado! De qualquer forma, acho que nada me salva de ser abelhuda.
Gosto dos seus links! Só hoje eu fui ver que tem The Swell Season que eu acho lindíssimo! Está vendo? Nunca mais fale de seu blog na minha frente, eu posso me empolgar!
ah, cranberries :D
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