terça-feira, 18 de novembro de 2008

Ih... Legítimo?

Muita gente sabe que arte é coisa para poucos. Entendê-la então é para pouquíssimos. Não que as pessoas sejam desinteressadas pelo assunto, mas é fato que quase ninguém tem empenho, vontade, "pique" suficiente para compreender a essência e a proposta de obras e exposições devido a necessária abstração que a arte exije de seu apreciador.

Geralmente em circuitos que abrigam obras consagradas pela crítica, o público ajusta e sustenta sua opinião de acordo com o que foi avaliado por aquela. e é ai onde está o problema: quem é que vai questionar se tal obra é realmente tão fabulosa quanto dizem ser? Talvez pela vergonha de se assumir um ignorante, prefere-se continuar com a farsa de que também julga maravilhoso aquilo que os críticos adoram.

Mas e quando não há um consenso nem entre os peritos em arte? Como é que o público reage numa dessas? Isso é o que anda acontecendo entre as paredes do primeiro andar do MIS (Museu da Imagem e do Som), em São Paulo.

A exposição I/Legítimo: Dentro e Fora do Circuito, que ficará até janeiro no museu, aborda a discussão sobre a legitimação da arte, ou seja, o que deve ser considerado arte ou não. Os artistas expositores pertencem ao cenário underground e reivindicam seu lugar no mainstream. A arte urbana (underground) tem, como princiapal característica, a atitude. A atitute que o indivíduo - no caso o artista - teve que ter para criar sua arte. O grafite é um exemplo desse tipo de produção artística. Outra característica do movimento underground é a quebra de barreiras. Entenda barreiras como qualquer coisa que impeça o artista em expandir sua obra ou linha de pensamento. A arte urbana é feita nas ruas e qualquer um pode manisfestar sua arte e dar a ela o sentido que quiser.

Logo na entrada da exposição, os "executivos azuis" de Tiago Judas (nome dado ao conjunto da obra)recepciona os visitantes e chama para a discussão o tema das barreiras supracitado; por que uma exposição se limita a uma sala? Por que não se expande para o mundo afora? Por que não atinge o cotidiano das pessoas? Esses são os questionamentos que a arte underground põe em pauta.

Visitar a exposição não apenas chama a atenção para a legitimação da arte, mas também para outras polêmicas que preocupam a arte urbana, que tem muito, na sua essência, de movimentos políticos. Aliás, no Brasil durante o período da ditadura a arte que buscava confrontar os líderes do poder era a urbana. Por isso a "atitude" é tão reverenciada, até mais que as técnicas usadas na produção artística - isso se não as esmaga.

Uma das obras mais, hã, estranhas, mas isso sem subestimar sua importância, é a de Fabiana Faleiros que apresenta PMG, "instalação que revê as ações de hackerativismo, convidando os visitantes a realizarem atentados simbólicos pela cidade com velas de aniversário acesas e registrarem a ação em fotos e vídeos que serão disponibilizados na internet". Coisa louca, né? Mas eu bem que fiquei com vontade de pegar as bombinhas, que tem 3 tamanhos diferentes - P de pequeno, M de médio e G de (adivinheeee!) grande -, e fazer um atentadozinho. Ora, por que não? =D

Mas se você tiver oportunidade é legal cair por lá e pedir por uma visita monitorada. Faz muita diferença, acredite. Eu sou prova disso. A exposição se transforma de uma merda para algo bem interessante. Gaste algum tempo em cada obra e, antes de achar que o sujeito é um insano ou algo do tipo, tente crer que ele teve uma intenção maior do que simplesmente te surpreender com atitude; há sim alguma boa idéia nas entrelinhas da obra. Vá lá e se deixe levar pela discussão e, ao sair, analise e tente dar o seu prórpio veredicto, mas sem - é claro - preconceitos.

1 Comment:

Paula Munhoz said...

olhaaaaaa! então serviu pra alguma coisa a minha proposta furada neh?! hehehe muito bom o texto, jornalista ;)