Muita gente sabe que arte é coisa para poucos. Entendê-la então é para pouquíssimos. Não que as pessoas sejam desinteressadas pelo assunto, mas é fato que quase ninguém tem empenho, vontade, "pique" suficiente para compreender a essência e a proposta de obras e exposições devido a necessária abstração que a arte exije de seu apreciador.
Geralmente em circuitos que abrigam obras consagradas pela crítica, o público ajusta e sustenta sua opinião de acordo com o que foi avaliado por aquela. e é ai onde está o problema: quem é que vai questionar se tal obra é realmente tão fabulosa quanto dizem ser? Talvez pela vergonha de se assumir um ignorante, prefere-se continuar com a farsa de que também julga maravilhoso aquilo que os críticos adoram.
Mas e quando não há um consenso nem entre os peritos em arte? Como é que o público reage numa dessas? Isso é o que anda acontecendo entre as paredes do primeiro andar do MIS (Museu da Imagem e do Som), em São Paulo.
A exposição I/Legítimo: Dentro e Fora do Circuito, que ficará até janeiro no museu, aborda a discussão sobre a legitimação da arte, ou seja, o que deve ser considerado arte ou não. Os artistas expositores pertencem ao cenário underground e reivindicam seu lugar no mainstream. A arte urbana
(underground) tem, como princiapal característica, a atitude. A atitute que o indivíduo - no caso o artista - teve que ter para criar sua arte. O grafite é um exemplo desse tipo de produção artística. Outra característica do movimento underground é a quebra de barreiras. Entenda barreiras como qualquer coisa que impeça o artista em expandir sua obra ou linha de pensamento. A arte urbana é feita nas ruas e qualquer um pode manisfestar sua arte e dar a ela o sentido que quiser.
Logo na entrada da exposição, os "executivos azuis" de Tiago Judas (nome dado ao conjunto da obra)
recepciona os visitantes e chama para a discussão o tema das barreiras supracitado; por que uma exposição se limita a uma sala? Por que não se expande para o mundo afora? Por que não atinge o cotidiano das pessoas? Esses são os questionamentos que a arte underground põe em pauta.
Visitar a exposição não apenas chama a atenção para a legitimação da arte, mas também para outras polêmicas que preocupam a arte urbana, que tem muito, na sua essência, de movimentos políticos. Aliás, no Brasil durante o período da ditadura a arte que buscava confrontar os líderes do poder era a urbana. Por isso a "atitude" é tão reverenciada, até mais que as técnicas usadas na produção artística - isso se não as esmaga.
Uma das obras mais, hã, estranhas, mas isso sem subestimar sua importância, é a de Fabiana Faleiros que apresenta PMG, "instalação que revê as ações de hackerativismo, convidando os visitantes a realizarem atentados simbólicos pela cidade com velas de aniversário acesas e registrarem a ação em fotos e vídeos que serão disponibilizados na internet". Coisa louca, né? Mas eu bem que fiquei com vontade de pegar as bombinhas, que tem 3 tamanhos diferentes - P de pequeno, M de médio e G de (adivinheeee!) grande -, e fazer um atentadozinho. Ora, por que não? =D
Mas se você tiver oportunidade é legal cair por lá e pedir por uma visita monitorada. Faz muita diferença, acredite. Eu sou prova disso. A exposição se transforma de uma merda para algo bem interessante. Gaste algum tempo em cada obra e, antes de achar que o sujeito é um insano ou algo do tipo, tente crer que ele teve uma intenção maior do que simplesmente te surpreender com atitude; há sim alguma boa idéia nas entrelinhas da obra. Vá lá e se deixe levar pela discussão e, ao sair, analise e tente dar o seu prórpio veredicto, mas sem - é claro - preconceitos.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Ih... Legítimo?
Postado por Luiza... às 10:50 1 comentários
Sábado de sol...
Tem algumas coisas que a gente só faz porque a amizade é muito maior do que o resto que tenta nos desanimar. Por exemplo: sono, preguiça, calor...
No último sábado eu acordei às 8 horas da manhã com a tarefa de acompanhar uma amiga em busca de uma fantasia de mafiosa. No dia anterior essa criatura me liga e acontece o seguinte diálogo:
eu: Alô?
criatura: Oi amorrrrrrrrrrrrrrrrrrr!!!!
eu: Hahaha... Tudo bom? (nossa! que doida!)
criatura: Tudo bom e você? (muito feliz)
eu: Tudo! (...)
criatura: Então, eu preciso de um favor. (voz de quem vai pedir alguma coisa muitoooo recusável)
eu: Fale. (apreensão)
criatura: Vou pro Interunesp e vai rolar uma festa à fantasia e eu e mais duas amigas vamos de mafiosas.
eu: Hum... E onde eu entro nisso? (medo!)
criatura: Preciso de alguém para ir no centro achar um chapéu preto e uma gravata preta para nós três. Eu pensei que a única pessoa que concordaria em fazer um programa de índio desses comigo seria você!
eu: Ah... Okay. Quando? (certeza de que só eu? Alguém me ajude!!!)
criatura: Amanhã cedo. Cedinho. Às 9 horas.
eu: Você tá dizendo que vamos para lá na mesma hora que as lojas abrem?(Ohhh céus!!!)
criatura: Abrem às 9? (?!)
eu: Sim. (Ela não sabia disso... Okay! ¬¬)
criatura: É. Vamos na hora que elas abrem! (Imagino que estivesse com uma cara de feliz =D)
eu: Tá. Eu vou. (...)
criatura: Ahhhh!!!! Que beleza!!!! Te ligo amanhã cedo quando estiver passando na sua casa! (voz muito feliz e animada)
eu: Okay! Nos falamos amanhã.
criatura: Sim amorrrrrrrr! Beijooooooo!
eu: Beijo querida!
Bom, quase às 9 horas minha amiga me manda uma mensagem no celular dizendo que se atrasaria. Umas 9h30 ela aparece em frente de casa com uma buzinadinha e um sorriso muito animado. Afinal, ela iria andar pelo centro todo às 9 horas de um sábado com um sol de rachar crânios e, é claro teria a companhia da minha pessoa! (Se eu fosse ela ficaria feliz somente pela última circunstância...)
Entrei no carro dizendo para mim mesma "vai ser legal, vai ser legal, vai ser legal, vai ser...". Acabou virando um mantra e eu não sabia mais o que aquilo queria dizer. Enquanto ela me perguntava como ia a minha vida e tal eu tentava não imaginar naquele aglomerado de pessoas que encontraríamos; no aglomerado de pessoas suadas e que eu me tornaria uma delas depois de alguns poucos momentos debaixo daquele solzinho. Mas, infelizmente, minha concentração não estava muito boa e a tentativa em não me imaginar como algo muito melecado foi em vão.
Quando chegamos no centro comercial, que, inclusive, fica no centro da cidade,
eu pensei que, se pelo menos metade das pessoas que lá estavam resolvesse de fato fazer compras e mandassem a crise mundial ver se elas estavam na esquina, os lojistas venderiam bem naquele sábado. O pior é que minha amiga também era parte dessa parcela: estava disposta a encontrar (e comprar) os tais artefatos que comporiam a fantasia.
Depois de entrarmos em várias lojas, cheguei a sugerir uma fantasia, que minha amiga descreveu como quase óbvia, mas que salvaria nossos ombros desprotegidos pela falta de um bloqueador solar (ou algo que o valha) esquecido dentro do armário. Mas como eu disse no começo deste post, algumas coisas são menores que a amizade ou que o afeto que temos por algumas pessoas. Então continuamos a procurar pelo(s) maldito(s) chapéu(s) (se tivéssemos achado pelo menos um...). As gravatas pretas descobrimos que podemos encontrar em qualquer loja meia boca. Mas também que essas vendidas nessas lojas são quase descartáveis. Ou seja, perfeitas para um evento na Interunesp.
Às 11 horas nenhuma de minhas roupas parecia com algo que eu tinha vestido antes de sair. Meu cabelo então era uma coisa a parte do meu corpo; não me lembrava dele daquele jeito em dias comuns. Quando eu já estava quase arrancando a roupa em pleno calçadão de uma cidade interiorana, o juízo apareceu e sugeri um suco. Minha amiga aderiu a idéia e eu agradeci por não ser aquele dia quando eu surtaria por estar tão "temperada" e "besuntada" de mim mesma.
- Maracujá e abacaxi, por favor. - Esse sabor poderia acalmar nossos nervos e glândulas sudoríparas que não nos deixavam em paz.
Nervos e glândulas mais calminhos, continuamos procurando o maldito chapéu. Mas, por minha sorte, minha amiga desistiu e fomos olhar os cachorrinhos que estavam expostos para venda. A coisa mais doida desse dia foi o que aconteceu neste momento: ao brincarmos com os filhotes fomos acometidas por um instinto maternal - o que não é muito legal se isso nos perseguisse em alguns outros momentos das nossas vidas como, por exemplo, naqueles em que alguns "detalhes" são imprescindíveis. Conversamos sobre isso e concluimos que estamos com alguns vazios amorosos. No meu caso talvez a culpa fosse da distância e no dela talvez pela incompetência do ser em ser alguém mais, hã, fofo (?!?!?!). Enfim, a vontade súbita em sermos mães, ainda que de cachorros, foi passando. Pelo menos de um instinto maternal para alguma coisa mais sadia.
Sem chapéu nenhum voltamos para a casa com metade da fantasia de mafiosa garantida. Mas uma coisa a gente conseguiu - e muito: passar calor. O que não foi naaada legal, mas a amizade é aquilo que disse, blá blá blá blá blá blá...
Postado por Luiza... às 05:30 1 comentários