domingo, 4 de janeiro de 2009

New Year's Resolutions

Quando alguém te diz a combinação de palavras "final de ano" ou "réveillon" no que você pensa? Por mais que quem tenha feito agora essa pergunta tenha sido eu, e - talvez - você nem queira saber no que me vem à cabeça, eu irei dar a minha resposta. Mas não agora. Antes eu vou discorrer sobre o sentido, na minha opinião, de existir uma comemoração para mais uma nova translação.

Fazendo uso de um exemplo bem cotidiano e concreto, qualquer empresa que trabalhe seus lucros e despesas ao longo do ano - de modo que queira garantir sua rentabilidade ou, pelo menos, sua estabilidade -, pode-se observar o momento reservado para o balanço. É nesta hora que se chega em conclusões como se medidas tomadas resultaram em acertos ou se investimentos acarretaram pilhas de prejuízo. Também neste instante nascem as projeções futuras, ou seja, o que fazer para alcançar uma nova (ou mesma) meta. O dono do empreendimento - ou alguma outra pessoa responsável por este tipo de contabilidade - geralmente não discute esse balanço com, por exemplo, o cara que entrou junto no elevador ou que espera na mesma fila do caixa com um pacote de salgadinhos.

O que quero dizer é que ele vai comentar, tratar dos assuntos referentes ao andamento da empresa com alguém que, de alguma forma, tenha a ver com ela. É o que quase sempre acontece. Quando não funciona assim é bem provável que a pessoa está desesperada e bêbada precisando falar sobre seu lastimável negócio com alguém que ainda não tenha dispensado as lamentações. Portanto, nem venha. Falar sobre a empresa, só com os funcionários e olhe lá!

Imaginando que tenha compreendido o parágrafo acima, no que você pensa? No que você pensa quando ditas aquelas palavras? Eu penso (sim, agora direi) no balanço do meu ano; naquela hora difícil em que eu sento na frente de mim mesma e me pergunto: "E ai? O que achou? Foi bom pra você?" e, sem deixar a sinceridade de lado, respondo. Ai a verdade se mostra da maneira mais verdadeira (se isto for possível...). Ou, em outras palavras, com seu teor mais genuíno, em forma de sentimento. Não é preciso traduzir em palavras. O sentimento e a sensação se entendem por elas mesmas. Talvez nem o cérebro participe dessa "reunião". Talvez ele seja só mais um subordinado perante a impressão e que somente facilite uma comunicação interpesssoal.

Bom, depois de conversar comigo, separar o joio do trigo e concluir em qual situação se encontra minha mais importante empresa, decido onde e com quem eu gostaria de compartilhar meus últimos momentos do mesmo ciclo que, por convenção, chamamos de ano. Definitivamente eu não escolheria uma balada muvuquenta ou por uma festa cheia de pessoas desconhecidas que nem parte da minha vida fizeram ou que, muito menos, a influenciaram. Para mim não faz sentido distribuir meus sorrisos, choros e desejos para o próximo ano com quem sei-lá-Deus-quando-verei ou alguém que me tanto faz a presença.

É claro que a animação de mega festas contagia, a música nos faz remexer e a bebida faz de todo mundo gente boa. Mas se quiser levar mais consciente esta data (a única na qual realmente refletimos sobre a vida por mais minutos do que o habitual) e não encará-la como mais uma festa muito louca que você não pode perder - como muitas outras durante o ano - é bem provável que o ano novo será mais bem vivido. Isso porque esse sentimento contagiante das comemorações de Natal e Ano Novo nos tornam mais sucetíveis à pensamentos introspectivos e, quanto mais se escuta e debate-se consigo, melhor ser humano se é.

Não vou explicar por que disso. Renderia muito papo e para outro post. Pense em passar um final de ano diferente... Isso poderá te trazer mais do que imagina. Acredite. Afinal, você acaba apostando em alguma superstição para entrar de pé direito no próximo ano, não é? E também já se viu juntando sementes de romã, é mentira? Seria eu menos crível que uma semente de romã?

Ah, aqui um pensamento que se tornou também meu desde que o ouvi:

"a felicidade só é real quando compartilhada".

Pura verdade.